Nenete: o artista que transformou Pirassununga em referência de música caipira
NENETE: O ARTISTA QUE TRANSFORMOU PIRASSUNUNGA EM REFERÊNCIA DE MÚSICA CAIPIRA
Cantor, compositor e produtor musical, Nenete construiu uma carreira histórica no rádio brasileiro, ajudou a popularizar a música sertaneja de raiz e se tornou símbolo da cultura caipira em Pirassununga, cidade que hoje abriga uma das maiores festas do gênero no país
Antes de dar nome a uma das maiores festas de cultura caipira do país, Nenete já era reconhecido nacionalmente como um dos artistas mais importantes da música sertaneja de raiz. Dono de uma trajetória marcada por sucessos no rádio, centenas de composições e uma ligação profunda com Pirassununga, Waldemar Castelar de Franceschi ajudou a transformar a música caipira em patrimônio cultural brasileiro.
Nascido em 1919, na cidade de Santa Adélia, interior paulista, Nenete chegou ainda criança a Pirassununga, município que adotou como lar e que se tornaria parte essencial de sua identidade artística. Foi aqui, aos 10 anos de idade, que iniciou sua relação com a cultura caipira e, posteriormente, sua carreira musical.
Nos anos 1940, começou a cantar na antiga ZYI-3 Rádio Difusora de Pirassununga, um dos principais meios de comunicação da época no interior paulista. O talento logo chamou atenção. Em 1943, formou dupla com Ditinho e também passou a integrar o “Trio Saudade”, ao lado de Ninão e Nininho.
O trio ganhou projeção estadual ao atuar na Rádio Record, em São Paulo, no tradicional programa “Hora dos Municípios”, apresentado por Genésio Arruda, entre 1947 e 1955. A presença de artistas vindos do interior nas rádios paulistanas ajudava a consolidar a música sertaneja como expressão popular brasileira, e Nenete já demonstrava o carisma e a autenticidade que o acompanhariam ao longo da carreira.
Durante parte desse período, adotou o nome artístico “Limeira” e formou dupla com Luizinho, apresentando-se nos programas “Imagens do Sertão” e “Alma da Terra”, da Rádio Tupi.
Mas foi em 1954 que a história da música sertaneja brasileira ganharia uma de suas duplas mais marcantes. No Concurso de Violeiros do IV Centenário da Cidade de São Paulo, Nenete conheceu Dorinho, nome artístico de Izidoro Cunha. A afinidade musical foi imediata. Pouco tempo depois, a dupla Nenete & Dorinho começava a trilhar um caminho de enorme sucesso.
Em 1958, gravaram “Teu Castigo” e “Meu Perdão”, dando início a uma sequência de lançamentos que marcariam época. Vieram então clássicos como “O Milagre das Rosas”, “Vinte Anos”, “Fez a Cabocla Chorar”, “Lágrimas de Pai”, “Borboleta”, “Recordação”, “Conselho de Amigo”, “Flor do Campo” e “Goiano Valente”, entre muitos outros.
Durante algum tempo, a dupla passou a se apresentar ao lado do acordeonista Antônio Onofre Figueiredo, o Nardelli, formando o famoso “Nenete, Dorinho e Nardelli”. O trio ganhou notoriedade nacional e ficou conhecido como o “Trio de Ouro do Rádio Brasileiro”.
O reconhecimento veio também por meio das premiações. O grupo conquistou o Troféu Roquette Pinto, uma das maiores honrarias da comunicação e do entretenimento brasileiro da época, considerada uma espécie de “Oscar do Rádio e da TV”. O prêmio foi criado nos anos 1950 para homenagear os maiores destaques do rádio e da televisão brasileira.
Nenete não se destacou apenas como intérprete. Também foi compositor prolífico e produtor musical. Ao longo da carreira, compôs e gravou mais de 400 músicas. Sua discografia impressiona: somente pela gravadora RCA Victor lançou 60 discos de 78 rotações, 22 LPs, 16 compactos duplos e 28 compactos simples.
Em 1966, assumiu a produção artística da RCA Victor, uma das maiores gravadoras do país, ajudando a impulsionar novos talentos da música sertaneja e consolidando ainda mais sua importância no cenário nacional.
Mesmo alcançando projeção nacional, Nenete nunca rompeu seus vínculos com Pirassununga. A cidade permaneceu como referência afetiva em sua trajetória e em sua obra. O artista continuou sendo figura conhecida e respeitada no Município, sempre ligado às raízes culturais do interior paulista.
Nenete faleceu em 28 de dezembro de 1988, vítima de uma tentativa de assalto em sua residência, em Pirassununga. Sua morte causou grande comoção entre admiradores, músicos e representantes da cultura sertaneja.
Décadas depois, seu legado segue vivo. Em homenagem à sua trajetória e à contribuição histórica para a música caipira, Pirassununga criou a Semana Nenete de Música Caipira, evento que se tornou uma das maiores celebrações da cultura sertaneja de raiz do Brasil.
Mais do que homenagear um artista, a festa mantém viva a memória de um homem que saiu do interior paulista para conquistar o rádio brasileiro sem jamais abandonar suas origens. Um caipira de Pirassununga que ajudou a transformar a música sertaneja em identidade nacional.
Fonte: Comunicação Social.